A Espanha esbarra num muro, Cabo Verde conquista um empate histórico
27 chutes, 2,10 de expected goals… e 0 gol. Na sua grande estreia em Copa do Mundo, Cabo Verde fez frente aos campeões da Europa, carregado por um Vozinha intransponível. 0-0.
É uma das maiores surpresas desta Copa do Mundo. Em Atlanta, Cabo Verde, 67ª nação no ranking da FIFA e a menor seleção a se classificar na história, segurou a Espanha, atual campeã da Europa e favorita do torneio, num retumbante 0-0. Dominados do primeiro ao último minuto, os Tubarões Azuis sobreviveram graças a uma defesa heroica e a um goleiro de 40 anos, Vozinha, absolutamente intransponível. Um ponto para a história.
Um cerco de 90 minutos, um muro que não cede
A Espanha impôs seu domínio desde o apito inicial, multiplicando as investidas sem conseguir furar a vigilância cabo-verdiana. O símbolo da partida ocorreu aos 39 minutos: sozinho a poucos metros, Ferran Torres estourou o travessão, antes de Vozinha rebater na sequência a cabeçada de Mikel Oyarzabal. Pouco antes do intervalo, o goleiro ainda fez defesas de grande categoria diante de Torres, Pedri e Laporte.
O segundo tempo seguiu o mesmo roteiro. Luis de la Fuente lançou sua joia Lamine Yamal na metade do segundo tempo, depois Dani Olmo e Nico Williams, mas nada adiantou: Mikel Merino e Marc Cucurella esbarraram em Vozinha, e um salvamento de Roberto Lopes preservou o 0-0 na última investida espanhola. Cabo Verde não se limitou a defender: aos 90+1, Diney Borges chegou a acreditar que daria a vitória aos seus numa cabeçada em escanteio, mas Unai Simón fez uma defesa milagrosa.
Posse de bola: 26% – 74%
xG: 0.21 – 2.10
Chutes: 6 – 27
Chutes ao gol: 1 – 7 · Bolas na área: 6 – 51 · Escanteios: 1 – 11
O gigante e o arquipélago
Tudo separava as duas nações. De um lado a Espanha, atual campeã da Europa, sagrada campeã do mundo em 2010 e uma das grandes favoritas, comandada por Pedri, Lamine Yamal e Rodri. Do outro, Cabo Verde, arquipélago de meio milhão de habitantes, disputando a primeira Copa do Mundo de sua história após uma brilhante campanha nas eliminatórias africanas sob o comando de Bubista.
Ninguém, ou quase ninguém, imaginava os Tubarões Azuis resistindo — embora Luis de la Fuente tivesse, ele próprio, avisado que Cabo Verde poderia ser uma das surpresas do torneio. Nem ele imaginava o quanto.
A frustração da La Roja, o sonho cabo-verdiano
Para além da façanha, é a frustração espanhola que chama a atenção. «Deveríamos ter vencido esta partida pelo tanto que criamos, mas nos faltou frescor e realismo», reconheceu Luis de la Fuente, antes de se mostrar sereno: «Zero dúvida.» De fato, a Espanha teve de tudo, menos eficácia.
Um Grupo H totalmente indefinido
Fato raro, as quatro equipes do Grupo H terminam a rodada empatadas, todas com um ponto: no outro jogo, Uruguai e Arábia Saudita também empataram, por 1-1, com um gol de empate de Maxi Araújo aos 79. Tudo em aberto. A 2ª rodada, em 21 de junho, colocará a Espanha contra a Arábia Saudita e Cabo Verde contra o Uruguai.
| Equipe | J | GP | GC | SG | Pts |
|---|---|---|---|---|---|
| Uruguai | 1 | 1 | 1 | 0 | 1 |
| Arábia Saudita | 1 | 1 | 1 | 0 | 1 |
| Espanha | 1 | 0 | 0 | 0 | 1 |
| Cabo Verde | 1 | 0 | 0 | 0 | 1 |
A Espanha sai com um ponto e muitos arrependimentos; Cabo Verde, com um ponto e uma página de história. Às vezes, no futebol, um 0-0 vale por todas as façanhas — Vozinha e os seus acabam de provar.

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